20 de janeiro de 2015

Do Amor

     Eu me encantei com a ideia de amar muito jovem ainda. Conheci o Perfeito Amor criança, aos 8, e carreguei comigo até que, aos 16, eu compreendi o que significava. E, ainda assim, mesmo conhecendo e conquistando o maior Amor do mundo, eu não entendia como eu poderia senti-lo. Parecia tão grande pro meu pequeno coração humano, tão inseguro e simples.
    
     Nesse meu pouco tempo de vida, eu achei que amei muitas pessoas. Hoje, eu vejo como não passavam de sentimentos rasos e incompletos, egoístas, até meio bobos. Amor é uma decisão bonita demais pra ser reduzida a uns quereres mal quistos, mal compreendidos, cheios de poréns. E amor não acaba, também. Você só pode desistir. Uma pena, mas existe quem cujo coração não suporte o peso deum mundo que matou o Perfeito Amor.
    
     Meu esclarecimento chegou, ao mesmo tempo, ao coração e ao conhecimento. Papai, numa sintonia dessas que só pais sabem proporcionar, foi quem me trouxe as palavras que descreviam aquilo que vinha crescendo dentro de mim. A olhos totalmente nus, eu vi que te amo mais em seu estado mais inútil, mais despojado de belezas, de encantamentos, atrativos, charmes, finos tratos.
    
     Na plenitude da sua feiúra e da sua pobreza, o amor é tão maior que aí, enfim, é amor de verdade. Sem potências, só a essência daquilo que você é, do seu coração. Sem vigor, sem juventude, sem perspectivas, sobra tanto quanto ou mais dentro de mim, pra que metade de mim seja Amor, e a outra metade seja aquilo que te faz sobreviver.
    

     

24 de novembro de 2014

A parte Tua que me cabe

A parte tua que me cabe nesse latifúndio do teu coração
é que
a qualquer distância
e de qualquer direção
eu ainda te cuide
            e te ame
            e te deseje o melhor desta Terra
            e muita força nos ombros para que segure essa cruz
                                                                                               todos
                                                                                                esses
                                                                                                  dias.
     

13 de novembro de 2014

Você não vê que é pecado? - Por que nos omitimos diante das injustiças do mundo

     Não precisa ir muito longe para que se perceba o alto grau de rejeição que o cristianismo tem experimentado diante da sociedade.  E, contrariando os egos altivos de quem garante ser odiado pelo mundo porque o mundo primeiramente odiou a Jesus (Jo 15:18), o problema está antes na posição egoísta do povo que ousa chamar-se pelo nome de seu Deus, esquecendo-se da parte em que se humilha, busca a face do Senhor, e se converte dos seus maus caminhos (2Cr 7:14).
     
     Diante de toda injustiça do mundo, levanta-se não uma geração que se ocupa em ser uma extensão de Jesus na Terra, mas um povo que carrega uma fé egoísta e interesseira, buscando “paz” e resolução da própria vida. Pulgas, que sugam todo o bem que esteja a seu alcance, e buscam uma zona de conforto a todo custo. Jesus não morreu para uns ou outros. Ele se entregou como sacrifício por todo o mundo (Jo 3:16-17).
     
     No capítulo 1 de Tiago, o apóstolo orienta o povo em seu agir perante o aprendizado da Palavra. Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural. (Tg 1:23). Cumprir a palavra não se limita ao abandono do pecado, ou a alguns mandamentos, mas uma mudança de vida que deve, necessariamente, fazer com que aquele que creia em Jesus Cristo, faça obras maiores que aquelas que Ele fez. (Jo 14:12)
     
     Você não vê que é pecado ocupar-se dos seus próprios interesses, e esquecer-se daqueles em necessidade? “A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.” (Tg 1:27) Você não vê que é pecado guardar seu tesouro, sua palavra, daqueles que estão se afogando em frustrações e infelicidades? Você não vê que é pecado calar-se diante da injustiça, da mentira, do abuso, e viver uma vida cristã medíocre, de quem não crê em, nem opera milagres?
     
     Ousar chamar-se pelo nome do Cristo implica manifestar-se como representante, embaixador do Mesmo. Não há nada que Deus possa operar por sobre a Terra, sem que haja pelo menos um coração disposto a agir conforme Sua vontade. Quanto falta para que nós consigamos entender que a fé sem obras é morta? (Tg 2:20) Quantos mais precisam perecer, oprimidos por um mundo injusto, privados de sua liberdade, de seus direitos? Abre a boca a favor do mudo, pelo direito de todos os que se acham desamparados. Abre a boca, julga retamente e faze justiça aos pobres e aos necessitados. (Pv 31:8-9)     

     Vivamos a plenitude da fé que se submete à vontade do nosso Deus, que é bondoso em todo o tempo, e não mais nos omitamos diante daqueles que necessitam. Ou você não vê que isso é pecado?
     
     
     

6 de outubro de 2014

Nós ainda temos tanto pra viver, M.

Então é isso, M., é isso aí. Não era pra ser agora. Não era pra funcionar, pra ser perfeito e ideal como eu sonhava. Pode ser que seja depois, e pode ser que não seja nunca mais. Quem sabe, M.? Só Deus mesmo. Pudera eu entender as coisas que nos acontecem nessa vida complicada. Por enquanto, é mais dor que conforto; mais pesar que alegria; mais doença que saúde; mais veneno que cura.
     
Eu não queria ter que deixar pra lá, M., eu não queria. Eu desejava poder insistir mais um pouquinho, em vez de só deixar que o tempo engula. Eu sei que deixar a cargo do tempo é permitir que a dor ainda corroa as superfícies do meu coração enquanto ela permaneça.
     
Eu achava, M., que seria eu e você por muito tempo. Você insiste que será, que será, mas nós sabemos que não é a mesma coisa. Eu esperei compartilhar muitas coisas com você ainda, porque foi bom o tempo e os pequenos momentos que foram meus e seus, que só nós conhecemos e lembraremos. Era gostosa a sensação de te procurar em meio à todo mundo, e, encontrando os seus olhos, receber carinho de volta. Eu permiti que você apagasse minhas luzes, e que visse tudo isso que eu escondi dentro de mim, pra que outros não vissem; eu te deixei ser luz onde eu não queria abrir os olhos.
     
E, agora, M., acabou. Acabou assim, já não vai mais continuar como era. Não vai, M., não vai. Nós já não somos como um do outro, mas somos comuns um pro outro. E, por mais que me doa, eu sei que comum é o melhor que nós seremos, agora ou pra sempre. É por isso que eu te escrevo agora, M. Nunca me faltou coragem pra falar de tudo de bom que eu sentia. Agora me falta alguma vergonha pra conter esse ímpeto de me desnudar em público. Está tudo claro e simples, apesar de que não pareça muito, agora. Você sabe que eu sou só aquilo que você vê. 

Nós ainda temos tanto pra viver, M., que seria egoísmo meu não te deixar viver as coisas tão grandes que te esperam. Pode ser que o tempo te faça tão melhor que seja bom demais pra mim. E, pode ser que o Tempo te leve pra tão longe, que eu nunca mais te veja. Podia ser que, um dia, nós estivéssemos bons o bastante um para o outro, e prontos pra levar adiante. Mas, por ora, eu vou só deixar pra lá, M. Só deixar pra lá. 
     
     

8 de setembro de 2014

Uma em um bilhão

Eu nem sempre tive 100% de certeza de onde eu vim. E eu sei que você também não. Acontece que, às vezes, a gente olha pra esse mundão e não consegue nem imaginar o tamanho que tem, e quantas pessoas diferentes existem, e quanta fauna, flora, e todos os outros planetas e corpos celestes que existem nesse universo. E, voando pelo espaço, procurando uma resposta, a gente perde altura de voo e vai caindo aos poucos de volta pra atmosfera, pro nosso país, pra nossa cidade, até que volta pro nosso umbigo, e não sabe mais sequer qual o valor que se tem.
     
Eu gosto de pensar que sou o fruto de uma máquina de improbabilidade infinita. Não só pensando em tudo que fez parte do surgimento do planeta, do universo, e das espécies todas, mas pensando em tudo que me torna quem eu sou. Todos os meus atributos, minha personalidade, as pessoas que conheci, os lugares por onde andei. É lindo imaginar que nada aconteça por acaso.
     
Eu não sou só filha dos meus pais. Sou filha dos meus avós, bisavós, tataravós, e dos tataravós deles, e dos tataravós seguintes. Eu não seria quem sou se outro dos espermatozoides do meu pai tivesse fecundado o óvulo da minha mãe. Eu poderia nunca ter existido sem alguém a centenas de anos atrás tivesse tomado um caminho diferente num dia quente, ou não tivesse se mudado de cidade. Se, em vez de olhar pra esquerda, e visto a pessoa por quem se apaixonou, tivesse olhado pra esquerda.
     
Isso parece pequeno, mas é grande, poderoso, precioso. Eu não sou um acidente, nem milhares de acidentes. Eu sou como uma canção da orquestra do Universo. E toda pedra no caminho é uma nova história em potencial para que surja na minha vida. Todo bem, e todo mal que vem, faz parte da minha vida, e estará sempre contido na história de quem vier depois.
     
Eu poderia ter sido várias, mas fui eu quem venci nessa máquina de possibilidades. Eu sou uma em um bilhão, mas também sou só uma parte dessa rede que relações sobre a qual nós construímos a vida. Muitas outras pessoas ainda virão. Pessoas que eu conhecerei, pessoas cujas vidas começarão através de mim. E eu fico feliz em saber que farei parte da improvável preciosidade da vida delas.